segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Mestre de Esgrima



A obra “ O Mestre de Esgrima” de Arturo Pérez – Reverte, relata a história dum mestre de esgrima conceituado que vivia um pouco “desligado” da vida política e apenas se concentrava nas lições de esgrima que dava aos seus alunos, entre os quais Luís de Ayala. Num certo dia, uma mulher bela e misteriosa, de nome Adela de Otero, pede a Don Jaime que lhe dê aulas de esgrima. A partir deste momento, o romance torna-se quase um policial, pois Luís de Ayala e Agapito Cárceles morrem, Adela de Otero “desaparece” e D. Jaime descobre que isto tudo aconteceu devido às cartas que Ayala lhe confiou. É então que Adela de Otero reaparece em casa de D. Jaime e lhe conta tudo o que se passou: que foi ela e uns malfeitores que mataram aquelas vítimas porque precisavam desses documentos para que se evitassem escândalos políticos.
No entanto, faltava uma carta necessária....
O final da história fica por contar, é claro, para quem quiser seguir esta leitura que não é só destinada a apreciadores da arte do florete.

Sem dúvida que foi uma obra impressionante e que me surpreendeu pela sua imprevisibilidade, pois eu pensava que a obra se iria basear numa história romântica entre um velho homem e uma jovem senhora, e de repente, o romance torna-se num enigmático policial.

A Aventura de Miguel Littin, Clandestino no Chile


Proibido de entrar no Chile pela ditadura do general Augusto Pinochet, Littin submeteu-se não só a uma mudança de personalidade, mas também de aspecto físico e da sua pronúncia não tendo sido reconhecido sequer pela sua própria mãe nem pelos soldados do palácio presidencial La Moneda, onde teve a coragem de entrar, tendo estado mesmo a poucos metros do gabinete de Pinochet, mesmo sabendo que corria o risco de ser morto no caso de ser reconhecido. Littin conseguiu entrar no Chile com várias equipas de filmagem independentes. Seguem-se os encontros clandestinos com membros da oposição, os testemunhos da população,etc. Gravam um filme de quatro horas para a televisão e outro de duas horas para o cinema. Ambos seriam, mais tarde, projectados nos quatro cantos do planeta como instrumento de denúncia da ditadura de Pinochet. Miguel Littin consegue assim concretizar o seu sonho de filmar um documentário clandestino sobre a realidade do Chile depois de 12 anos de ditadura Militar.

Na minha opinião o livro é um pouco maçador, uma vez que a história não faz muito o meu género e como tal não me cativa, ainda assim o livro é muito bem escrito e a sua escrita é bastante simples, o que torna a sua compreensão mais fácil. De qualquer das formas este livro serviu-me de desafio, dada a minha “fobia” pela leitura e desta vez posso me orgulhar em dizer “sim, eu li”.

domingo, 24 de maio de 2009

O Leitor


“O Leitor” conta-nos a história de Michael Berg, um jovem de 15 anos, filho de um filósofo e de Hannah Smith, uma mulher de 36 anos. Ambos conheceram-se quando Michael tinha apenas oito anos e como estava com icterícia ao voltar da escola passou mal em frente ao edifício onde morava Hannah. Na época, eles mal se falam. Após 7 anos os dois passam a viver uma grande paixão. Eles vêem-se freqüentemente e em uma espécie de ritual: tomam banho juntos, Michael lê para Hannah e depois fazem amor. Passado um tempo, eles desentendem-se e Hannah some de repente.

Anos mais tarde quando Michael, estudante de Direito, é convidado para assistir ao julgamento contra guardas dos campos de concentração nazistas, como o de Auschwitz, onde Hannah foi guarda, os dois se encontram mais uma vez. Michael assiste ao julgamento completo e paralelamente, passa a visitar todos os campos nazistas para saber mais sobre estes. No julgamento, Berg descobre que Hannah é analfabeta e tendo vergonha que descubram isso ela assume toda a culpa de um crime do qual ela é inocente. Ao final do julgamento, Hannah é condenada a 18 anos de prisão.

Michael se forma e passa a exercer sua profissão. Um dia, lembra- se de Hannah e vai à procura de seu paradeiro. Encontrando-a, passa a mandar-lhes cassetes com os livros que costumava ler para ela, sendo novamente o seu leitor. Certo dia ele recebe uma carta da prisão informando que Hannah vai ser libertada, nela vem o pedido para que ele a visite e ajude-a a reconstruir sua vida. Ele vai e encontra uma Hannah velha, mas ainda com o mesmo jeito. Um dia antes de ela sair, Michael recebe a notícia de que ela se enforcou, fazendo com que se sinta um pouco culpado por tudo o que não pode fazer por ela.

Hannah deixa todo o seu dinheiro para a filha de uma prisioneira que saiu viva de um incêndio em que Hannah era uma das guardas responsáveis pelas prisioneiras, mas a filha indica que Michael doe tudo para uma instituição que trate de assuntos relacionados ao Holocausto.

Assim, “O Leitor” é um livro que consegue captar a atenção de quem o lê do início ao fim e nos faz revisitar um período da história: o do nazismo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009




Olá pequenada


Juntei mais dois links: para estarem informados. Podem aceder ao jornal Público e à revista Visão. Aproveitem para ler as crónicas de Lobo Antunes.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Rio das Flores


Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares, conta-nos a história da família Ribera Flores durante as primeiras décadas do século XX. O leitor é transportado para a tranquilidade do Alentejo, a vida boémia de Espanha e o calor arrojado do Brasil que servem de palco aos acontecimentos deste romance.
As vastas terras do Alentejo escondem todas as alegrias, as lágrimas e os medos destas três gerações que sempre tentaram «manter imutável o que a terra uniu». Porém, o desejo da descoberta de um novo país traz consigo a LIBERDADE que se torna num vício para uns e numa perda para aqueles que cá ficam.
Este romance atravessa décadas delicadas, em que o Homem combatia nas guerras, matava milhões de inocentes e governava Nações desprotegidas. Nas suas páginas estão marcados todos os episódios destes anos de paixão, angústia, morte e de infelicidade que marcaram a personalidade dos homens.


«Tenho medo de uma coisa que tu não temes: que, depois de conhecer a liberdade, de ter viajado e vivido em países livres, não me volte a habituar a viver de outra maneira. Tenho medo que a liberdade se torne um vício, enquanto que agora é apenas uma saudade.»

terça-feira, 19 de maio de 2009





Este livro retrata o Afeganistão entre os finais do século XX e inícios do século XXI.
O país está sob o poder dos Taliban e atravessa um complicado período de guerra. No entanto, as maiores complicações são sentidas pelas mulheres. Tratadas como objectos, vêem-se sem direitos, sem protecção e inseridas numa sociedade profundamente machista.
Esta realidade é representada por duas mulheres: Mariam e Laila. Não se conheciam, tinham percursos de vida totalmente distintos, mas acabam por se unir e criar fortes laços de amizade. Mariam, mais velha, era filha bastarda e vivia com a mãe, Nana. Quando perde a mãe é obrigada a casar com um homem muito mais velho e a viver segundo as suas ordens, tudo para garantir o seu sustento e para não ser mal vista pela sociedade.
Laila é proveniente de uma família mais culta, com valores um pouco diferentes, em que a cultura e o respeito pela mulher eram muito valorizados. No entanto, a guerra rouba-lhe os irmãos e mais tarde os pais e a sua vida muda radicalmente.Embora pareça muito real,este livro não retrata um história verídica. No entanto, como podemos perceber no posfácio, o autor basea-se na sua experiência pessoal enquanto médico e embaixador da Boa Vontade nas Nações Unidas.

"Recordou-se de Nana ter dito que cada floco de neve era um suspiro soltado por uma mulher magoada algures no mundo. Que todos suspiros subiam para o céu, se reuniam em nuvens e depois se desfaziam em minúsculos pedaços, caindo silenciosamente sobre as pessoas cá em baixo."

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Ano da morte de Ricardo Reis


O livro de José Saramago o “O ano da morte de Ricardo Reis”, fala-nos acerca de um dos heterónimos de Fernando Pessoa, Ricardo Reis, o poeta das odes, como é descrito. Escrito no ano de 1984,a história relata o regresso de Ricardo Reis à cidade de Lisboa, onde fica a saber que Fernando Pessoa faleceu, mas este aparece – lhe (no estado de subconsciência), na noite de fim de ano, para “restaurar a nossa amizade… passados 16 anos, sou novo na terra”. Conhece Lídia, uma simples empregada do hotel onde fica hospedado, o nome da sua ninfa, que escreve em diversos poemas. Tem uma paixão efémera, conhece também uma jovem de nome Marcenda, vítima de uma pequena paralisação num braço.
Neste romance fala-se acerca da importância do “Estado Novo” na sociedade portuguesa dos anos 30 (1936).”Não há comparação possível entre o Portugal que deixou ao partir para o Rio de Janeiro”.
Um livro empolgante que prende o leitor à cadeira, que junta a imaginação da escrita de Saramago e a personalidade do heterónimo pessoano, Ricardo Reis.


“… sentado no sofá estava sentado um homem ,reconheceu-o imediatamente apesar de não o ver há tantos anos, e não pensou que fosse acontecimento irregular estar ali à sua espera Fernando Pessoa…”; “Soube que me foi visitar, eu não estava a espera, mas disseram-me quando cheguei, e Ricardo Reis respondeu assim, Pensei que estivesse, pensei que nunca de lá saísse, Por enquanto saio, ainda tenho uns oito meses para circular à vontade, explicou Fernando Pessoa…”